terça-feira, 22 de dezembro de 2015

aves


quando nos sonhamos de aves
queremos sobrevoar o tudo,
queremos ser viandeiros
ou peregrinos alados,
confundir falsos profetas
e exumar os cadáveres
sepultados no mar
e acender luminárias
nas nuvens adjacentes
às nossas rotas errantes

queremos que ninguém saiba
o gosto das nossas asas
e não queremos que cheirem
os olfactos que colhemos,
como se fosse um beijo
roubado nesse arroubo.

mas, apesar de tanto voo
e horizontes alcançados,
por que será que o sol
fica sempre tão distante?

(c)SPA2015 Carlos Clara Gomes
in "Notas Sobre a Maresia"

Foto:
(c) Pedro Ribeiro

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