quinta-feira, 3 de março de 2016

o fim do mar


finalmente
sento-me nas areias
onde sonhei amar-te em sossego
e desesperado pela espera de ti

e uma onda leva-te,
súbita

e vais agarrada
ao costado dum barco
para um lá-longe
onde crescem as flores
e as cores
que contigo quis ver

e os pores-de-sol
em que te lobrigarei
serão cáusticos e violentos
porque não és mais
o teu sorriso
nem a tua melena revolta.

espero os teus caracóis
nalguma onda arrependida
que de novo
te traga à fímbria
onde fiquei
espreitando o mar.

(c) SPA2016 Carlos Clara Gomes
in "Notas Sobre a Maresia"

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